quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Paradoxos

A gente ouve falar de notícias chocantes e estúpidas todo dia no Cidade Alerta,  Brasil Urgente, Notícias Populares, etc. Mas quando acontece com alguém próximo da gente, parece que tudo se torna paradoxal.

Havia um cara que no meu trabalho, que estava na empresa há muito tempo. Dedicado, gentil, profissional, pai de família, silencioso, discreto. Fazia o que lhe cabia, sem usurpar o mérito de ninguém, sem puxadas de tapetes e ego inflado.

Ontem fui ao andar dele para solicitar uma demanda para uma outra pessoa e ele, muito gentil, falou brevemente comigo, cumprimentando como manda a boa educação mas de forma despretensiosa e sem egocentrismo.

Ainda ontem ele saiu do trabalho, pegou o carro e foi para sua casa. No caminho, houve um acidade de trânsito. Ele, extremamente pacificador, saiu do carro para dialogar com o outro envolvido. O outro, tomado sabe-se lá por qual sentimento, partiu para agressão, puxou uma faca sabe-se lá de onde e esfaqueou o meu colega de trabalho sabe-se lá porque.

As facadas foram na região abdominal, perfurou o intestino delgado e grosso, fazendo com que o conteúdo se espalhasse pelo organismo e corrente sanguínea. Perdeu muito sangue. Foi socorrido, foi internado, foi operado, foi medicado... não resistiu e morreu.

Hoje, a notícia se espalhou mais rápido do que água derramada pelos departamentos. Todos estavam em choque. Todos estavam estarrecidos com a tragédia (menos os de ego inflado, claro, sempre eles). Em meu choque e incredulidade, penso nesta família, na esposa, nos dois filhos, no pai e na mãe...

Pensamentos funestos também pairam: num ambiente corporativo, onde o que prevalece em grande parte são os egos, tem tanta gente ruim que poderia ter acontecido isso, mas acontece com o discreto.

É impressionante como só os inocentes morrem com essas coisas. Fiquei pensando: não seria isso o verdadeiro arrebatamento e nós estamos esperando algo que já vem acontecendo?

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